
REPÓRTER DA ZERO HORA
Eduardo Cecconi tem 27 anos. Formou-se em jornalismo pela UFRGS em junho de 2002. Como profissional trabalhou no Jornal do Comércio (editoria de esportes), na Rádio Band AM 640 (repórter e produtor de esportes), no Tribunal de Justiça (assessoria de imprensa), Portal Terra de Notícias (redator do site) e há três anos atua como correspondente da Zero Hora no interior. Participa, também, de um programa semanal da Rádio Atlântida Pelotas. Além disso, produz o blog Cidade Futebol no Clic RBS. Cecconi também já atuou como freelancer em diversos eventos de assessoria, rádios esportivas e até campanhas políticas. Ele mora em Pelotas há um ano e oito meses.
A entrevista a seguir foi feita por email com o correspondente de ZH em Pelotas:
1) Cecconi, como é escrever para um jornal impresso e ao mesmo tempo manter um blog atualizado?
É uma correria, porque a rotina de correspondente da ZH é muito desgastante. Sou um repórter para cobrir uma região com 21 municípios, publicando tudo o que acontecer em qualquer um deles, para qualquer editoria e caderno do jornal. Mas como falar de futebol é o que mais me dá prazer, eu sempre encontro tempo para atualizar o blog diariamente. É minha primeira tarefa do dia. Ligar o computador e atualizar o blog.
2) O que o motivou a criar um blog sobre os três times da cidade de Pelotas?
Sou de Porto Alegre e torço para um time da Capital, onde nasci e vivi por 24 anos. Quando cheguei em Pelotas criei um blog sobre Grêmio e Inter em um site gratuito (Blogger), só para consumo próprio. Quando publiquei na ZH uma matéria sobre o Brasil de Pelotas, os torcedores que integram o Fórum Xavante fizeram uma busca na Internet e viram que eu tinha um blog da dupla Gre-Nal. Ficaram indignados. Conversamos bastante, e dessa aproximação surgiu a idéia de fazer também um blog sobre a dupla Bra-Pel.Durante a campanha do Brasil na Série C, fiz algumas matérias para o ClicRBS (o contrato de repórter da ZH prevê participação nas outras mídias da empresa – internet e rádios – de acordo com a política de profissional multimídia). Os editores viram meu blog pessoal da dupla Bra-Pel e pediram para que eu transferisse aquela fonte de informação para o ClicRBS. É clichê dizer isso, mas foi uma honra receber esse convite. O blog hoje é um sucesso absoluto, mesmo tendo um público restrito (só torcedores de Brasil e Pelotas, às vezes do Farroupilha também) recebe muitos acessos e tem grande repercussão entre os editores do ClicRBS em Porto Alegre.
3) Qual a principal diferença entre a linguagem destes dois meios (tradicional e digital)?
Um é o contrário do outro. O texto do jornal ou de qualquer outra mídia convencional submete-se aos padrões das teorias de comunicação – objetividade, imparcialidade, impessoalidade. São textos informativos, sem qualquer traço de opinião, embora eu acredite que essas teorias estão ultrapassadas, mas isso é assunto para outro tema.Já nos blogs é diferente. Não há teorias, ele é um produto novo que nasceu como um diário adolescente e foi incorporado ao jornalismo pelos articulistas. Ou seja, é totalmente opinativo. É escrito em primeira pessoa, é uma conversa com o internauta. Como o blog tem, em cada post, um espaço para comentários, o blogueiro tem que estimular essa interatividade com o leitor, escrever pensando nesse diálogo. E, dentro dessa interatividade, estar preparado para dar opinião e receber críticas, muitas críticas. A combinação futebol+interatividade+opinião é explosiva, porque todo internauta identificado com o assunto tem uma opinião, e muitas vezes ela é diferente da minha.
4) Quais as tuas principais fontes para os assuntos relacionados aos clubes pelotenses?
Depende do assunto. Como o blog é uma oportunidade analítica, eu geralmente proponho temas conforme minha observação. Vou a um jogo, por exemplo, e faço a análise do desempenho do time e dos jogadores. Isso independe de fonte, é a minha observação. Se eu achar que a diretoria errou ou acertou em determinada ação administrativa, vou falar também, conforme minha observação – é mais ou menos como as colunas nos jornais (Wianey, Falcão e Ruy na ZH, por exemplo).Já quando há uma notícia, aí eu preciso procurar as fontes que confirmem a informação. Como minha prioridade contratual é a ZH, faço tudo por telefone. Ontem (23 de abril) publiquei um post sobre a possibilidade do Brasil jogar a Série C. A fonte é o presidente da FGF, Francisco Noveletto, para quem eu liguei e confirmei as informações. Depois liguei para o presidente Helder Lopes, do Xavante, para repercutir. Juntei tudo, adicionei a minha opinião, e publiquei no blog.
5) Quanto a postagem de comentários dos intenautas, existe algum moderador?
Existe, e é fundamental. Futebol insufla ânimos e rivalidades. Geralmente há muitos termos ofensivos ou aos torcedores adversários, ao clube rival ou ao blogueiro (eu...hehehehe). O comentário só vai ao ar depois de ser “liberado”, ou por mim, ou pelos editores de Porto Alegre. Cada blogueiro tem o seu critério. O meu é o seguinte: corta os palavrões, o resto deixa. Principalmente se for contra mim. Vetar comentários críticos soa muito mal. Então eu deixo passar tudo, é só tirar palavrão e botar no ar. Isso ajuda a fidelizar o internauta, ele sabe que pode dar sua opinião democraticamente, e aos poucos os mais exaltados vão amenizando o tom à medida que eles percebem que o blog é um fórum de debate único para os torcedores da dupla Bra-Pel na grande mídia, e que ele precisa ser aproveitado de maneira qualificada para ser mantido.
6) Existe algum padrão teórico para a criação do blog?
Se existe, eu desconheço. Quanto ao design, cada site tem o seu padrão. Para o ClicRBS, há o “topo”, com o nome do blog, o espaço para os posts, a barra de links e o perfil do blogueiro com foto. É assim em todos os blogs do site, para manter uma tendência.Mas, quanto a alguma fundamentação teórica, eu desconheço. É um assunto muito novo. Talvez existam monografias ou trabalhos de mestrado/doutorado sobre o tema.
Clique Aqui e veja o blog do jornalista Eduardo Cecconi
Um comentário:
Dá uma arrumadinha na foto...
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